EIA- Um percurso
EIA, pt. 1
O EIA é grupo de amigos que encaram o desafio de trabalhar juntos idéias sobre arte pública e juntos organizar ações de arte contemporânea na cidade. Traçar a história do grupo é falar também das dificuldades de fazer arte e lutar pela cidadania no Brasil, de forma independente, explorando um meio à princípio hostil (o espaço público); é falar também das dinâmicas do trabalho conjunto, das alegrias e das decepções, e de como crescemos juntos nesse processo.
A história do grupo passa necessariamente por Salvador, onde em maio de 2004 ocorreu o primeiro Salão de Maio organizado pelo GIA. Nessa ocasião, com trabalhos individuais, pela primeira vez juntaram-se Floriana, Milena, Caio, Gisella e Eduardo. As dinâmicas e experiências desse período foram essenciais para o nascimento do grupo, que se deu logo em seguida em São Paulo. A esse núcleo embrionário juntaram-se a Radioatividade (Marina, Felipe e Rodrigo) e outros amigos (Flávia, Alexandre, Sérgio).
A maioria dessas pessoas já se conhecia e tinham de alguma forma desenvolvido projetos no campo da performance, arte pública ou intervenção urbana.
O grupo também já nasceu com nome: EIA, Experiência Imersiva Ambiental, dado pela Floriana e Luís Parras. O nome já definia as principais atitudes do grupo ainda embrionário, a experiência – o ato de lançar-se ao novo, a imersão – o fato de estar rodeado, imerso no ambiente urbano, e ambiental, a atitude em favor de uma transformação positiva da sociedade. Em agosto de 2004 nasceu o EIA.
Depois do batismo na Bahia, o primeiro desafio do grupo, a organização e realização do primeiro EIA, onde em novembro de 2004 – seguindo a receita baiana – o grupo recebeu e realizou em São Paulo cerca de 50 projetos de arte pública, além de organizar o ciclo debates que antecedeu o evento. O saldo do primeiro festival EIA foi a arregimentação de novos membros (Mariana e Chico), o contato com outros coletivos e o fortalecimento do núcleo EIA.
O período que se seguiu ao primeiro festival de intervenções do EIA foi de gestação de novos projetos que culminou em um projeto integrado de vários coletivos chamado SPLAC! em julho de 2005. O projeto inicial era a realização numa praça de São Paulo, de um Salão de Artes Plásticas (com direito a edital e regras rígidas) realizado sobre um suporte comum: as placas irregulares de propaganda imobiliária que infestavam as ruas da cidade. O SPLAC! contou com a participação de mais de uma centena de trabalhos e repercussão em jornais, aumentando o grau de discussão e consciência sobre o papel e os limites propaganda e da especulação imobiliária.
A organização do segundo festival EIA deu-se de maneira menos espontânea que o primeiro: abrigou cerca de 70 projetos, realizou conferências sobre os processos da especulação e revitalização na cidade, realizou uma importante parceria com o Centro Cultural São Paulo, sendo incluído na programação da Primeira Virada Cultural.
O processo todo resultou numa institucionalização do projeto inicial, com a qual o grupo teve que lidar de maneira consciente. Após o segundo festival alguns membros se desligaram do grupo, uns em definitivo e outros temporariamente. A necessidade de repensar e definir a dicotomia entre ser um grupo ou um organizador de eventos foi o maior desafio do período. Foi também a época onde foi editado o material de vídeo do primeiro e segundo festivais. O EIA se assumiu como um grupo criador logo em seguida. Não houve muito tempo para pensar, e sim a necessidade de agir: em março de 2006, o EIA incluiu-se nas dinâmicas dos coletivos em prol da ocupação Prestes Maia, contrários ao despejo das quase 2000 pessoas que lá habitam. O EIA organizou o Baile dos Espantalhos e incendiou de alegria o evento promovido em resistência a decisão judicial. Novamente uma vitória: a decisão foi revista dando uma sobrevida aos moradores de lá.
Do Prestes Maia, o EIA também saiu fortalecido como grupo, e já se preparando para pôr em prática um novo projeto que estava sendo gerado por alguns membros do grupo: um grande evento que unisse vídeo projeções, performances e audio visuais. O evento foi batizado de Interrogacidade e foi realizado na segunda Virada Cultural em maio de 2006. O Interrogacidade marcou o ingresso de dois novos membros no EIA, Livia e Manaus, que com eles trouxeram novas possibilidades na área de vídeo e som.
Pouco tempo depois veio o convite para participar do Multiplicidade, evento na cidade de Vitória que foi concebido nos moldes do GIA e do EIA. Foi um momento de encontro com amigos e de celebração para o EIA. O desfile ‘O que Vitória precisa para vencer’ foi uma bem humorada anti-campanha política, mais dedicada a ouvir do que dar soluções. O resultado foi uma festa pelas ruas do centro e a adoção imediata do slogan pelos passantes.
O momento atual é de preparação para dois novos desafios: o terceiro festival EIA e a organização de oficinas em conjunto ao segundo Reverberações, evento que reúne coletivos de todo o Brasil. Trabalho não falta e vontade também não, e para nós o que vale é aumentar o raio da ação em prol da consciência (política, ecológica, humana). Até onde esse caminho nos levará é ainda um mistério para todos nós, mas a estrada existe e estamos nela.


2 Comments:
ai chiuhuahua!
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